Contemporary art and photography in artPublications

Thomas Kellner in webblog Universidade de Brasilia May 2009

Fotógrafo alemão desconstrói arquitetura brasiliense

Fotógrafo alemão desconstrói arquitetura brasiliense

Thomas Kellner prepara ensaio inédito sobre a capital modernista. Prédios do ICC, Biblioteca e Reitoria estão entre os retratados

Joana Wightman - Da Secretaria de Comunicação da UnB



Criada nas pranchetas de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, Brasília ocupa papel singular na história da arquitetura contemporânea. Suas cores e formas, que já foram retratadas por artistas de todo o mundo, ganham agora uma nova interpretação sob o olhar do alemão Thomas Kellner.

Dentro do conceito de foto-arte (fotografía como expressão artística), Kellner descontrói as imagens dos prédios clique por clique. Depois, as organiza em minunciosos mosaicos. “Toda cidade tem sua própria identidade. No entanto, a de Brasilia foi definida a partir da concepção do arquiteto Oscar Niemeyer”, reflete o fotógrafo alemão.

A proposta  de retratar a capital modernista surgiu há cinco anos. Desde então, ele já fez quatro visitas à cidade. O resultado será transformado em um ensaio fotográfico provisoriamente entitulado de  “Brasilia, 50 anos de uma utopia moderna”.


PRODUÇÃO ARTESANAL - No prédio da Reitoria da Universidade de Brasilia, Kellner fez fotos do jardim de inverno. O teto de concreto com quadrados vazados, semelhante a um tabuleiro de damas, e as imensas samambaias chamaram a atenção do fotógrafo alemão.

Entre um trago e outro do cigarro, o fotógrafo, de 43 anos, cabelos lisos e louros protegidos por um chapéu panamá, preparava os equipamentos e montava seu detalhado esquema de produção. Cada fotografía leva de duas a três horas para ser tirada. O filme usado é o de 35 milímetros e cada quadradinho que compõe a foto (frame) é clicado para depois ser montado como um quebra-cabeças.

“É um registro inédito a partir de um olhar estrangeiro. A fotografía artística influenciada pela arquitetura vai reverenciar a cidade como a verdadeira obra de arte que Brasília é”, ressalta a diretora do espaço cultural Ecco e idealizadora do projeto, Karla Osório. A previsão, segundo ela, é inaugurar a mostra fotográfica com 50 retratos em abril de 2010.

Karla Osório conheceu Kellner em 2004, durante uma exposição em Houston (EUA), e ficou impressionada com a originalidade de sua obra. “Nunca tinha visto algo parecido. Ele é precursor de um estilo que resgata uma antiga técnica de fotografía em 35mm”, destaca.


O convite para fotografar Brasília surgiu nesta ocasião e o alemão topou o desafio de recriar os monumentos, igrejas e edifícios de Brasília. O processo criativo começa a partir de esboços que ele mesmo desenha em um caderno, uma espécie de diário de bordo.
 
O segundo passo é escolher o melhor ângulo e definir o formato da foto: panorama, horizontal ou vertical. A partir daí, o fotógrafo consegue calcular quantos cliques serão necessários para montar a foto-mosaico. “Fui o primeiro a descobrir o método desconstrutivista em 170 anos de história da fotografía”, assinala Kellner. O cubismo, movimento artístico que representa imagens por meio de formas geométricas, é uma de suas principais influências.

Desde que chegou a Brasília, no último dia 13 de maio, ele já clicou a Torre de TV, a Catedral, o Teatro Nacional e vários dos prédios da Esplanada dos Ministérios. Na UnB, Kellner fotografou o Minhocão, a Biblioteca, a Reitoria e a Faculdade de Educação.

Além de um exposição, o olhar de Kellner sobre Brasília será registrado em livro. A publicação terá textos do escritor inglês e ex-diretor da Galeria de Fotografía de Londres, Paul Womble. Kellner nasceu em 1966, na cidade de Bonn (Alemanha), e ganhou sua primeira câmera fotográfica aos quatro anos de idade. Kellner foi professor de história da arte e ganhou prêmios como Young Professional da Kodak. Ele tem obras expostas nas coleções do Museu de Arte de Houston e no Instituto de Artes de Chicago.


www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php

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